Journal of

Anglo-Portuguese Studies

Revista de Estudos Anglo-Portugueses

Sobre a Revista

Fundada em 1990 pela Professora Doutora Maria Leonor Machado de Sousa, a Revista de Estudos Anglo-Portugueses/Journal of Anglo-Portuguese Studies é dirigida, desde 2014, pela Prof.ª Doutora Gabriela Gândara Terenas e internacionalmente peer reviewed pelos Professores George Monteiro (Professor Emérito da Universidade de Brown, Estados Unidos), Patricia Odber de Baubeta (Professora Catedrática na Universidade de Birmingham, Reino Unido) e Paulo de Medeiros (Professor Catedrático na Universidade de Warwick, Reino Unido). Os peer reviewers avaliam a aceitabilidade dos artigos propostos mediante os seguintes critérios: adequação às normas de publicação; temática abordada enquadrável no âmbito da Revista; pertinência, originalidade e enquadramento teórico do artigo; adequação da metodologia crítica; clareza da apresentação; argumentação e relação entre hipóteses de partida e resultados.

A Revista apresenta-se organizada em três partes: I) Projectos (divulgação de projectos em curso), II) Estudos (artigos de investigação originais) e III) Recensões Críticas (a obras recentemente impressas enquadráveis na área de estudos em causa). Todos os trabalhos aqui publicados inserem-se no âmbito dos Estudos Anglo-Portugueses, área multidisciplinar e comparatista por excelência, cuja autonomia há muito se afirmou nos meios académicos nacionais e estrangeiros. Resultantes de uma articulação entre várias disciplinas – história, sociologia, filosofia, ciência, economia, política, literatura, jornalismo, tradução e artes plásticas, entre outras – os Estudos Anglo-Portugueses assentam numa perspectiva comparatista inequívoca, podendo, contudo, exigir desenvolvimentos distintos consoante o tipo de textos escolhidos como objecto de análise. Assim, o eclectismo verificável entre os diferentes métodos e aparelhos teóricos que sustentam os diversos artigos da Revista – Imagologia, Estudos de Tradução, Escrita de Viagens, Historiografia, Estudos de Recepção ou Media Studies – deve ser entendido como uma vantagem, um elemento enriquecedor e, sobretudo, como uma vasta potencialidade de múltiplos trabalhos. Não se propõe para a Revista de Estudos Anglo-Portugueses um carácter disciplinarmente indefinido, mas reconhece-se antes a dimensão plural das metodologias aplicáveis na investigação e na análise da área de estudos em causa, bem como a necessidade de encontrar uma abordagem teórica capaz de abarcar essa diversidade e, ao mesmo tempo, não permitir aplicações práticas totalmente arbitrárias. Os artigos seleccionados devem realçar a interacção entre disciplinas diversas e promover pesquisas orientadas por novos materiais, a par de reflexões teóricas que adoptam os métodos ao objecto de análise e não o inverso.

A importância de se estudarem as relações anglo-lusas reside, em grande medida, na (hetero- e auto-)informação susceptível de ser obtida sempre que um Eu escreve sobre um Outro. O debate entre o Eu e o Outro, o uno e o diverso, a unidade e a multiplicidade constituem premissas indissociáveis dos Estudos Anglo-Portugueses e do próprio acto cultural, pois a comparação de culturas amplia decididamente a percepção da identidade, na constatação de uma dimensão simultaneamente humana e supranacional, vectores que devem tornar-se visíveis nos artigos seleccionados. De facto, a representação do Outro veicula sempre uma determinada imagem daquele que vê, pelo que o binómio “cultura que olha” e “cultura que é olhada” adquire, neste contexto, um significando de extrema acuidade devendo ser transversal aos artigos aqui publicados. Orientando-se para a divulgação do estudo do conhecimento do estrangeiro (luso ou anglófono), desde os primórdios das relações anglo-lusas (século XII) até à actualidade, a Revista abarca quaisquer períodos ou épocas em que, de algum modo, houve contacto entre as duas culturas: a portuguesa e a anglo-saxónica. Neste diálogo intercultural que deve atravessar os artigos aqui publicados, a “estética da diferença” traduz-se no interesse pelo Outro, pelo diferente, pela alteridade, e a “estética da identidade” pela definição do Eu, com toda a carga intelectual que a sua própria cultura nele imprimiu.

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